2/11/2016

Análise That Last-Gen Gamer: Child of Light (VITA)


A Ubisoft é reconhecida mundialmente por desenvolver franchises como as sagas Assassins Creed e Far Cry, entre outras. Em 2014 presenteou-nos com um título que se desvia bastante da fórmula aplicada a tais aventuras, denominado Child of Light. Esta análise cobrirá apenas a versão desenvolvida pela Ubisoft Montreal para a Playstation Vita.

Child of Light trata de uma pequena rapariga chamada Aurora, filha de um duque de Áustria, em 1895. Depois de sucumbir a uma doença, Aurora acorda no mundo mítico de Lemuria, do qual o sol, a lua e as estrelas foram roubados pela Rainha Negra. É o dever de Aurora retomá-los para voltar ao mundo do seu pai moribundo.

Ao longo desta aventura conhecem-se diversas personagens, cada uma com a sua história e razão para participar na ação. Devido aos diálogos bem construídos, cada uma delas consegue prender o interesse do jogador e tem valor intrínseco dentro da narrativa. Uma série de acontecimentos inesperados assegura que o fio narrativo se mantém interessante até ao final da viagem.



A primeira coisa que capta imediatamente a atenção do jogador ao iniciar o Child of Light é o estilo artístico que jorra de cada pixel deste jogo. O poder do motor de jogo UbiArt Framework, anteriormente aplicado aos títulos Rayman Origins e Rayman Legends, criou um design ao estilo conto de fadas com modelos de personagens, inimigos e caracterização de cenários que parecem ter sido pintados à mão com toda a dedicação possível. Este visual é acompanhado por uma narrativa contada integralmente em rima – sim, todos os diálogos e narrações rimam. É algo verdadeiramente enriquecedor para a história e contribui para todo o charme tão característico deste título.

Tendo sido composta com a mesma atenção e engenho dos restantes elementos, a banda sonora de Child of Light é uma obra, por si só, sublime. Uma composição de Coeur de Pirate, adequa-se perfeitamente tanto a situações de exploração relaxante como batalhas renhidas e cheias de tensão. As notas melódicas e, por vezes, melancólicas, andam de mãos dadas com os momentos altos e baixos da narrativa, formando um conjunto digno de um grande livro com acompanhamento musical.



A nível de jogabilidade, Child of Light implementa uma mecânica de combate turn-based dinâmica que requer que o jogador pense sempre dois passos à frente dos adversários. Tanto Aurora e o seu grupo de aliados como os seus inimigos têm um tempo de espera até poderem utilizar os últimos segundos da barra cronológica para efetuar as ações desejadas. Estas ações incluem ataques físicos, mágicos e o uso de poções e antídotos.

Dado que, em grande parte das batalhas, o jogador enfrenta mais do que um inimigo em simultâneo, torna-se rapidamente necessário planear as estratégias que melhor se adequam ao tipo de batalha em mão. Nem sempre compensa apostar apenas no ataque, da mesma forma que adotar uma postura demasiado defensiva pode resultar na perda de ataques preciosos. Cada personagem jogável tem o seu próprio arsenal de ações físicas e mágicas, sendo apenas os items comuns a todas.



Existe também uma componente relevante de crafting em Child of Light. Por todo o mapa estão espalhados cofres que contêm items como poções para usar em combate ou pedras preciosas que podem ser combinadas para formar outras, por sua vez, mais valiosas. Estas pedras podem depois ser aplicadas às diferentes personagens para lhes conferir forças, defesas ou capacidades passivas especiais. Dependendo do cenário em que o jogador se encontre, poderá necessitar de mais defesa para um certo elemento como fogo, água ou trovoada, ou, pelo contrário, de reforçar os seus ataques baseados nestes mesmos elementos. Outras vantagens como uma maior rapidez na linha cronológica são também possíveis.



Felizmente, este é um título com poucas falhas e ao longo da minha experiência tive apenas alguns reparos a apontar. Ocasionais erros de áudio, particularmente em áreas com muitos efeitos sonoros ao mesmo tempo; picos de dificuldade em determinados bosses que interromperam a fluidez da história e alguma repetitividade e falta de dinamismo nas skilltrees (evolução de poderes) foram as únicas falhas a notar, sem que nenhuma delas tivesse prejudicado de forma séria a experiência.



Veredito


Child of Light é um belo jogo no sentido literal e figurativo. Este título transpira estilo a partir do design artístico, apresenta uma história profunda por baixo da temática de conto infantil e cria um mundo extremamente imersivo. A banda sonora completa em beleza o universo da pequena Aurora, fazendo o jogador sentir-se na mente de uma criança num mundo fantástico desconhecido em que as dificuldades se superam aos poucos. 
Child of Light é uma excelente adição a qualquer coleção e provou-se uma experiência bastante recompensadora na pequena Vita.


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